Ecoinovação: assunto de interesse global

O tema do aquecimento global e a demanda por tecnologias limpas está cada dia mais em voga no cenário mundial. Líderes internacionais defendem consistentemente em seus discursos durante conferências globais pelo clima que não há mais como ignorar o problema e sobre a necessidade de união para enfrentá-lo. 

Diante deste quadro, é imperativo que negócios inovadores que buscam a internacionalização invistam em tecnologias que estejam de acordo com a demanda global. 

A internacionalização de negócios inovadores brasileiros têm o potencial de alavancar o reconhecimento internacional do Brasil no quesito sustentabilidade. Um claro exemplo disso é a Energia das Coisas, startup que participou do Ciclo Bogotá-Medellín do StartOut Brasil em 2020, que desenvolve trabalhos de educação e comportamentos relacionados ao consumo de energia elétrica. 

Segundo Rodrigo Lagreca, CEO da empresa, o programa proporcionou a ampliação de seus horizontes. “Costumávamos pensar somente no mercado residencial, agora, mais focados em indústrias, pudemos amadurecer nossos processos e pensar em atuar de forma internacional.” Atualmente, a startup tem iniciado seus primeiros negócios na Colômbia. 

Ainda em 2014, uma publicação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) constatou que empresas ecoinovadoras de todos os tamanhos cresciam, em média, cerca de 15% ao ano, em um momento em que os seus respectivos mercados permaneciam estabilizados. 

As características de adaptabilidade e flexibilidade, inerentes às startups, fazem com que estes tipos de negócios sejam particularmente suscetíveis à ecoinovação. O que também atrai a atenção de potenciais parceiros comerciais e investidores ao redor do globo. 

Mais recentemente o Sebrae, em uma parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, publicou o relatório Ecoinovação nos pequenos negócios (2018).

Segundo o documento, incorporar a sustentabilidade no dia a dia das empresas é a única forma de caminharmos rumo a uma economia mais sustentável. Mas este esforço parte da premissa de conhecer todas as atividades que envolvem a empresa, direta ou indiretamente. 

Um dado importante trazido pelo relatório aponta que as empresas tendem a fazer um esforço desproporcional para lidar com as questões ambientais e sociais de sua produção: 80% dos esforços de gestão respondem a apenas 20% dos problemas existentes. Isso porque, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a maior parte dos impactos ambientais e sociais não ocorrem somente na produção inloco, mas sim ao longo de toda a cadeia de valor daquele produto. É a isto que se refere o famoso tema da logística reversa. 

Existem startups que podem ajudar neste trabalho, que não precisa ficar centralizado dentro da mesma empresa, necessariamente. A meuResíduo é um exemplo. A plataforma de gestão de informações ambientais para geradores, transportadores, consultorias, recicladores e receptores de resíduos foi uma das participantes do Ciclo Lisboa 2021 e compareceu ao Web Summit acompanhada da delegação do StartOut Brasil.

Ainda segundo o relatório publicado pelo Sebrae, em parceria com o PNUMA, para que a ecoinovação seja colocada em prática nos negócios, é preciso que o empreendedor tenha alguns pontos em mente:

  • Introduza o pensamento de ciclo de vida de forma sistêmica para identificar riscos e oportunidades que vão além da empresa, conhecendo o ciclo de vida de sua atividade. 
  • Incorpore a sustentabilidade em seus eixos econômico, social e ambiental no mesmo nível de igualdade e por meio da estratégia de negócios. Esta prática corresponde ao chamado ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa). 
  • As ações precisam ser alinhadas à estratégia da empresa. A ecoinovação é uma decisão que requer decisão e comprometimento do proprietário ou de todos os sócios. 
  • Desenvolva soluções conjuntas com a cadeia de valor para resolver problemas comuns com ganhos significativos. A exigência imposta por regulamentação a uma empresa da cadeia impacta as demais, então é importante estabelecer parceiros comerciais que compartilhem dos mesmos valores. 
  • A ecoinovação é um processo contínuo e participativo. Ou seja, toda a equipe precisa estar em um ambiente onde o processo de inovação seja colaborativo e que se tenha abertura para sugestões e contribuições. Além disso, não se inova uma única vez. A inovação deve ser a essência do negócio.
  • Conheça o cliente para fazer entregas de acordo com a demanda. Ter clareza do que o seu público vem demandando a fim de expandir sua clientela e torná-los mais satisfeitos.
  • Tenha pessoas criativas na equipe e valorize os talentos. Este tipo de profissional precisa de ambientes leves, descontraídos e com mais flexibilidade de horários para desenvolverem competências importantes para a geração de ideias. Ofereça esse ambiente e valorize os talentos disponíveis.
  • Assuma riscos não calculados e agir rapidamente na correção. Ecoinovação é um processo novo e, como tudo novo, é incerto: existe a possibilidade de insucesso. 
  • Firme parcerias com institutos de pesquisa, universidades e agências de fomento quando não possuir as habilidades ou competências necessárias na equipe ou cadeia de valor.

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